HOMICÍDIOS: EVOLUÇÃO E CONSEQUÊNCIAS DESSA MODALIDADE CRIMINOSA
GIOVANNI VALENTE BONFIM JÚNIOR
Graduado em Direito pela Universidade Católica do Estado de Goiás – UCG, Graduado em Formação de Oficiais pela Academia de Polícia Militar - APM, Pós-Graduado em Ensino Militar pela APM, Pós-Graduado em Gestão de Segurança Pública pela APM e Pós-Graduado em Estudos de Política e Estratégia da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra – ADESG-GO, pelo Centro Universitário de Goiás – Uni-ANHANGUERA.
RESUMO:
As taxas de homicídios, no Brasil e em outros países, estão em franco crescimento. Os índices em algumas regiões são alarmantes, o que incentiva Países e Continentes a procurarem novas soluções. Os métodos utilizados atualmente pelos entes governamentais não alcançam as metas e objetivos traçados, aumentando a criminalidade, a sensação de insegurança e o medo por parte da população. O presente trabalho tem por escopo analisar os dados estatísticos da criminalidade em diversos países, identificando e analisando seus índices criminais quanto aos homicídios. Esta modalidade criminosa será conceituada e localizada geograficamente. No Brasil as taxas de homicídios serão analisadas por Estados. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) e dos organismos afins a essa entidade, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), serão consultados e soluções criativas implementadas na Cidade de Bogotá-Colômbia, serão conhecidas para implementação no Brasil.
PALAVRAS CHAVES:
Crimes; Taxas; Experiências.
1. INTRODUÇÃO
A criminalidade tem aumentado em todas as regiões do mundo, independente do poder econômico ou dos fatores sociais das nações. No Brasil a situação se agrava devido à crise econômica, fatores sociais e o narcotráfico. Um dos tipos de criminalidade que mais amedrontam as pessoas são os homicídios.
A relevância do tema está na importância da vida, desde os primórdios até os nossos dias, e é oportuno devido ao aumento generalizado dessa modalidade criminosa no planeta, no continente sul americano e, principalmente, no Brasil.
Dentre os objetivos do presente trabalho está a conceituação de homicídio; verificação do onde, do como e do por que ele ocorre; apresentação da teoria que o justifica; decodificação de suas taxas, no Brasil e em outros países; localização e apresentação de experiências positivas no enfrentamento a essa modalidade criminosa.
O controle científico de indicadores é um conjunto de regras, conceitos e procedimentos que, neste trabalho, auxiliará no reconhecimento e monitoramento de algumas variáveis relacionadas à criminalidade, principalmente no tocante aos homicídios. Essa ferramenta permite maior rigor científico na avaliação do desempenho institucional do Estado frente à criminalidade latente.
O Artigo conceituará o problema, transitando por suas raízes históricas na América Latina e no Brasil. Ressaltará que as desigualdades brasileiras favoreceram e favorecem a criminalidade, que as possibilidades de sobreviver, estudar e morar no Brasil são dificílimas. Conceituará homicídios, suas nuances, características e formas de ocorrência.
Dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, Ciência e a Cultura (OEIA) sobre o Brasil serão apresentados.
O crime e sua sazonalidade, principalmente no tocante aos homicídios cometidos nas fronteiras nacionais e no interior do país, serão analisados. Através de tabelas, os mapas dos homicídios serão interpretados, desde as taxas dos países com os menores registros até os países com os maiores índices. O Brasil será comparado com outras nações e, dentro do seu território, os Estados apresentarão suas diferenças. Ações pró-ativas contra o crime de homicídios serão localizadas e sugeridas para Brasil.
Os dados ora apresentados demonstrarão os problemas causados no Brasil pela criminalidade, principalmente no tocante aos homicídios, e as ações implementadas na Colômbia que conseguiram reduzir as taxas de crimes violentos na cidade de Bogotá.
O presente trabalho tem como objetivo alertar as autoridades, políticas e administrativas, que as taxas de homicídios no Brasil estão fora de controle e que, o nada fazer compreende também em aceitar suas conseqüências: redução da população masculina jovem; diminuição do produto interno bruto; aumento dos preços de seguros; redução dos preços de imóveis em determinadas regiões; redução do turismo; aumento das desigualdades sociais e outras.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
Destacar um crime hediondo, dentre vários tipos, conforme a moderna Criminologia processa, averiguando suas características, localização geográfica, taxas criminais e ações que o reduzem.
2.1 Causas Sociais das Mortes no Brasil
Numa dada população, a expectativa de vida é o número médio de anos que um indivíduo pode esperar viver, se submetido, desde o nascimento, às taxas de mortalidades observadas no momento (ano de observação). É calculada tendo em conta, além dos nascimentos e obituários, o acesso à saúde, educação, cultura e lazer, bem como a violência, criminalidade, poluição e situação econômica do lugar em questão.
2.1.1 Pobreza
Segundo o Instituto de Política Econômica Aplicada (IPEA, 2005), 53,9 milhões de brasileiros são pobres, isso equivale a 31,7% da população. Informa ainda o Instituto que 21,9 milhões dessa população são muito pobres, ou 12,9% dos brasileiros. Isso significa que quatro em cada dez brasileiros vivem em miséria absoluta. Entre as 130 Nações que medem a distribuição de renda, o Brasil é o penúltimo colocado, só ganha de Serra Leoa.
Nesse estudo verificou-se que o trabalho infantil no Brasil ainda é uma realidade. Crianças de 06 a 14 anos trabalham como se fossem adultos. As taxas mais altas foram encontradas no Estado do Piauí, onde 19,9% da população no mercado de trabalho estava nessa faixa etária. No Distrito Federal foram encontradas as menores taxas, 2,8% da população.
2.1.2 Saúde
Dados do IPEA confirmam que a taxa de mortalidade infantil no Brasil é altíssima, de cada 1.000 crianças que nascem 25 falecem. Na adolescência, de cada 100.000 pessoas 71,7 são mortas pela violência ou por acidentes de trânsito. Na fase adulta, o câncer mata 72,2 de cada grupo de 100.000 brasileiros e, concluindo essa seleção “natural”, na velhice, de cada grupo de 100.000 pessoas 151,7 falecem por doenças cardíacas.
2.1.3 Educação
Quanto à educação, o IPEA informa que 14,6 milhões de brasileiros são analfabetos, isto equivale a 11,6% da população, sendo que 9,6 milhões de analfabetos moram nas cidades. O racismo ocorre até neste momento, uma vez que dos analfabetos 12,9% são negros e 5,7% são brancos, mesmo a segunda população sendo bem superior que a primeira.
2.2 Causas Criminais das Mortes no Brasil
Desde as primeiras civilizações, ao cunhar a lei, esteve presente um dos seus objetivos primordiais, que é o de limitar e regular o procedimento das pessoas diante de condutas amplamente consideradas como nocivas e reprováveis. Um dos escritos mais antigos é o Código Sumeriano, no qual se encontram arrolados 32 artigos, sendo preconizados nesses, delitos e penas. O Código de Hamurabi, que é uma compilação maior e posterior, adota a chamada Lei de Talião ou a conhecida regra olho por olho, dente por dente.
2.2.1 Diferenças Brasileiras
Conforme Beato (2005), 50% das mortes violentas no globo terrestre são causadas por suicídios, 30% por homicídios, 18% por guerras e 2% são oriundas de outras causas. No Brasil, diferentemente dos dados mundiais, as causas principais de mortes são os homicídios (38,8%), seguidos pelos acidentes de trânsito (25,3%), outros acidentes (19,8%), por causas indeterminadas (10,2%) e suicídios (5,8%).
A taxa de homicídios no Brasil em 1980 era de 11,4 para cada grupo de 100.000 habitantes, em 2003 foi constatado que essa mesma taxa já era de 29,1 para o mesmo grupo. Dentre as regiões metropolitanas, constatou-se que as mais violentas são as de Vitória-ES (78,2), Recife-PE (76,7), Rio de Janeiro-RJ (62,6), Maceió-RN (56,9) e São Paulo-SP (51,7).
A pesquisa destoa o Brasil, no tocante à criminalidade, dos outros países. As taxas de suicídios são muito altas no hemisfério norte, principalmente nos países mais desenvolvidos, enquanto que as taxas de homicídios são altíssimas no hemisfério sul, principalmente nos países da América do Sul, com destaque para o Brasil.
Os índices ora apresentados, oriundos de diversas fontes sobre criminalidade e desenvolvimento social, demonstram que o excesso de bens de consumo e o alto poder aquisitivo de uma determinada população (países ricos), provoca nesta, a perda pelo valor da própria vida (suicídios). Verifica-se ainda que, em determinada população (países pobres e/ou em desenvolvimento), a falta de bens de consumo e o baixo poder aquisitivo provoca a perda do valor pela vida dos outros (homicídios).
2.3 Homicídios
Homicídio é um tipo de crime, a palavra vem do latim “hominis excidium”, consiste no ato de uma pessoa matar outra. É um crime instantâneo de efeitos permanentes, consumando-se com a parada encefálica irreversível da vítima.
2.3.1 O que é Homicídio
Segundo o Código Penal, o ato de tirar a vida alheia é considerado um crime contra a vida; na legislação brasileira, denominado como homicídio.
Homicídio é um crime que, para sua consumação, exige a morte da vítima, ou seja, a agressão à vida humana. Em termos modernos, Homicídio é a destruição culpável e antijurídica da vida de um homem por outro homem. Objeto jurídico tutelado é a vida humana, considerada nas relações entre as pessoas. (RAMOS; LIMA, 2006, p.1).
2.3.2 Onde Ocorrem os Homicídios
Verificou Beato (2005) que 45,9% dos homicídios ocorrem em via pública; 23,2% na casa da vítima; 9,0% nos bares; 5,6% em locais ermos; 5,2% em estabelecimentos comerciais; 4,7% na casa do agressor; 3,9% não é informado o local; 2,1% em celas de cadeias ou presídios e 0,4% ocorre em outros locais.
Demonstram os dados que, a localização do crime facilita sua prevenção. No caso concreto, homicídio, fica estabelecido que o mesmo ocorre em vias públicas, nas proximidades das casas das vítimas e/ou autores, após esses saírem de bares e/ou outros estabelecimentos que vendem bebidas alcoólicas.
2.3.3 Quando Ocorrem os Homicídios
Os homicídios ocorrem quando há aglomeração de pessoas, quer seja em via pública ou estabelecimentos comerciais; nesses locais, os riscos de ocorrer um crime contra a vida aumentam de forma considerável.
Conforme Beato (2005), 73,7% ocorrem entre as 19 horas de sexta-feira e 01 hora da segunda-feira. Confirma-se assim que o crime de homicídio é um típico crime de final de semana. Coincidentemente, de forma deplorável, são nos finais de semana, principalmente no período noturno, que são reduzidas as equipes de médicos nos hospitais, de policiais nos policiamentos ostensivos (viaturas nas ruas) e de plantonistas nas delegacias para autuar os criminosos.
2.3.4 Como Ocorrem os Homicídios
Beato (2005) confirma que 62,7% dos homicídios ocorrem com a utilização de armas de fogo (revólveres, pistolas e espingardas); 19,3% com armas brancas (canivetes, punhais, facas, facões e foices) e 18% com outros tipos de armas.
Armas são instrumentos inventados pelo homem para se proteger dos animais, posteriormente para se proteger de outros homens, mais recente para resolver problemas políticos (guerras) e, atualmente, para tirar a vida de qualquer ser vivo.
Em recente campanha de desarmamento, o Governo Federal retirou de circulação mais de 500.000 armas de fogo, o que ocasionou uma redução imediata de homicídios nas regiões metropolitanas dos grandes centros urbanos.
A redução dos homicídios nas grandes cidades, proporcionou que, pela primeira vez, fosse observado e estudado um dado que estava obscuro nas taxas criminais, o aumento dos crimes contra a vida no interior do país.
Esses novos números inflacionaram as taxas brasileiras, transformando os rincões em zonas de guerras. Antes modelos de locais pacatos com ótima qualidade de vida, as cidades do interior transformaram-se em locais perigosos.
Verifica-se que as abordagens tradicionais implementadas nos grandes centros não alcançaram êxito nas pequenas cidades do interior do país. Nota-se ainda que o porte de armas irregular é uma verdade no interior e, a falta de estrutura do poder público (polícia) em todos os municípios, obriga os moradores dessas localidades a se armarem como questão de sobrevivência.
2.3.5 Teoria da Oportunidade
Segundo Cohen e Felson (1979), o crime não ocorre aleatoriamente no tempo e no espaço, tem uma razão e um padrão. Os crimes de tentativa de homicídio, homicídio e suicídio têm janelas, que são impulsos destrutivos e/ou vingativos que não duram para sempre. Durante esse período, o acesso a armas de fogo multiplica o risco de morte. Passado o momento de fúria e/ou desespero, o impulso suicida ou homicida se reduz ou, até mesmo, acaba.
Essa teoria apresenta o crime contra a vida como a ausência da razão, esse momento pode ser evitado com o fechamento das janelas, evitando o acesso às drogas lícitas e/ou ilícitas por pessoas armadas em momento de fúria.
2.3.6 Estatísticas
Segundo a UNESCO, de 60 países analisados, em apenas 06 o número de homicídios é superior ao número de mortes por acidentes de trânsito, dentre esses está o Brasil e mais três países da América Latina. Em 49 desses países, o número de suicídios é superior ao número de homicídios; dentre as exceções está o Brasil e mais sete países da América Latina. A América Latina é a região onde mais ocorrem homicídios no planeta: 30 mortes para cada grupo de 100.000 pessoas ao ano, o triplo da média mundial.
Dados do PNUD (2007) informam que, com 2,8% da população mundial, o Brasil responde por 11% de todos os homicídios do planeta. É o 2º país que mais mata utilizando armas de fogo, 3º em homicídios contra jovens e 4º colocado em homicídios no geral. O Brasil é o 3º mais violento da América Latina, perdendo somente para a Colômbia e Venezuela.
Ressalta-se que esses dois países sul-americanos vivenciam momentos distintos do Brasil, enquanto que o narcotráfico, as guerrilhas, os paramilitares e as milícias dominam o dia a dia na Colômbia e na Venezuela, no Brasil o problema maior são as desigualdades sociais.
Verificou também o PNUD, que ocorrem no Brasil 27 homicídios ao ano para cada grupo de 100.000 habitantes. As vítimas são jovens, tem entre 20 e 24 anos, 65 homicídios para cada grupo de 100.000 habitantes.
Constatou-se ainda que 20% da população jovem não trabalha e nem estuda. Nos últimos 10 anos cresceram 63% o número de vítimas entre 14 e 17 anos. A maioria das vítimas de homicídios no Brasil é da raça negra, 73% a mais que a população branca vitimada.
O racismo contra a população negra destaca-se nos dados acima, contudo, as taxas de homicídios apresentam outros autores, como os pobres, os analfabetos e os jovens. Esses últimos são as maiores vítimas.
Qual será o futuro de um país que elimina sua mão de obra no momento de maior produção dela? A estagnação. O problema da criminalidade brasileira deixará de ser social e tornará um desafio econômico.
No futuro, como os Estados Unidos, o Brasil terá que importar imigrantes para o serviço braçal. Ressalta-se que os norte americanos permitem a entrada de imigrantes devido ao envelhecimento da sua população e não pela sua ausência, como será o caso brasileiro.
2.4 Mapas da Violência
O termo violência deriva do latim “violentia”, que significa força, vigor. Atualmente é conceituado como um comportamento que causa dano à outra pessoa, ser vivo ou objeto.
2.4.1 Homicídios no Planeta
a) Tabela 01
HOMICÍDIOS NO PLANETA PARA CADA GRUPO DE 100.000 HABITANTES
INGLATERRA - 0,1
JAPÃO - 0,6
FRANÇA - 0,8
PORTUGAL - 1,6
PERU - 1,7
ITÁLIA - 1,9
CHILE - 5,4
URUGUAI - 5,5
EUA - 6,0
ARGENTINA - 7,3
MÉXICO - 9,9
Fonte: Organização Mundial de Saúde – OMS (2007)
b) Tabela 02
HOMICÍDIOS NO PLANETA PARA CADA GRUPO DE 100.000 HABITANTES
COLÔMBIA - 57,4
VENEZUELA - 29,5
RÚSSIA - 27,3
BRASIL - 27,0
BELIZE - 22,5
BAHAMAS - 20,8
PORTO RICO - 19,9
SANTA LÚCIA - 17,7
CASAQUISTÃO - 14,8
EQUADOR - 13,7
Fonte: Organização Mundial de Saúde – OMS (2007)
c) Tabela 03
HOMICÍDIOS NO BRASIL PARA CADA GRUPO DE 100.000 HABITANTES (12 PIORES ESTADOS)
PERNAMBUCO - 50,7
ESPÍRITO SANTO - 49,4
RIO DE JANEIRO - 49,2
RONDÔNIA - 38,0
DISTRITO FEDERAL - 36,5
ALAGOAS - 35,1
MATO GROSSO - 32,1
AMAPÁ - 31,3
MATO GROSSO DO SUL - 29,6
SÃO PAULO - 28,6
PARANÁ - 28,1
GOIÁS - 26,4
Fonte: Secretaria Nacional de Segurança Pública - SENASP (2007)
Rozados (2005) explica que para mensurar, passa-se por três aspectos, primeiramente deve-se decidir o que medir, depois definir o instrumento capaz de medir o que se deseja (como medir) e por último o valor do que está sendo medido, ou seja, o que justifica essa mensuração.
Verifica-se nos dados da tabela 01 que as taxas de homicídios nesses países são bastante reduzidas, quando comparadas com as taxas dos países da tabela 02. Nota-se ainda que é possível a existência de taxas reduzidas de homicídios nos países sul americanos, conforme a presença de alguns desses na tabela 01.
Conforme a tabela 02, as taxas de homicídios estão concentradas na América do Sul, Caribe e nos países da antiga União Soviética.
Na tabela 03, os dados demonstram que as taxas de homicídios no Brasil estão concentradas em algumas regiões do Nordeste, mais precisamente em dois Estados (Pernambuco e Alagoas), na região conhecida como triângulo da maconha; Sudeste, quase todos os Estados, com exceção de Minas Gerais; Norte, especificamente em Rondônia e Amapá; Centro-Oeste, em todos os Estados e em apenas um Estado do Sul, Paraná.
2.4.2 Criminalidade na Fronteira
As fronteiras são locais violentos, no Brasil e em outros países. Segundo a Organização dos Estados Ibero-Americanos - OEIA (2005), baseando-se nas taxas médias de homicídios de 1994 a 2004:
a) Nos municípios fronteiriços as taxas de homicídios são de 17,7 para cada grupo de 100.000 habitantes;
b) Nos municípios que não estão nas fronteiras, mas que estão em Estados fronteiriços, as taxas de homicídios são de 14,1 para cada grupo de 100.000 habitantes;
c) Nos municípios em que os Estados não fazem fronteiras com outros países, as taxas são de 11,2 homicídios para cada grupo de 100.000 habitantes.
Confirma a OEIA, que a criminalidade no Estado de Goiás, conforme Tabela 03 do tópico anterior, está muito acima do ideal, pois enquanto apresenta 26,4 homicídios para cada grupo de 100.000 habitantes deveria apresentar no máximo 11,2 para o mesmo grupo.
2.4.3 Criminalidade no Interior
A OEIA (2005) confirma ainda que 72% dos homicídios ocorridos no Brasil, entre 2002 e 2004, ocorreram em 10% dos municípios. Dos 10 municípios com maiores taxas de homicídios no Brasil, 06 estão localizados no Centro-Oeste. Até 1999, as taxas de homicídios cresciam entre 5% e 6% ao ano nas capitais e regiões metropolitanas. Desde então, estagnou e começou a crescer no interior.
Conforme os dados, o crime de homicídios está localizado no litoral, no caso brasileiro, mas suas taxas estão deslocando para o interior e fronteiras territoriais do país. A nova fronteira do Brasil, o Centro-Oeste, assumirá em breve o título de campeão nacional de homicídios, com destaque negativo nesse título para o Estado de Goiás.
2.5 Caso Colômbia
A Colômbia já foi o país mais violento da América do Sul, um dos mais violentos do planeta. Essa situação só melhorou após a implementação do Programa Zanahoria.
O programa Zanahoria foi um movimento social na cidade de Bogotá, onde cartões cidadãos (cartolinas com o sinal positivo de um lado e o sinal negativo de outro, demonstrados com a mão) foram distribuídos, visando colocar a população para fiscalizar as regras de trânsito; artistas circenses foram contratados para realizar mímica nas faixas de trânsito, principalmente sobre as faixas de pedestres, educando a população pelo exemplo.
Boletins de violência e delinqüência foram instituídos nas delegacias, tornando as transgressões simples como fatos criminosos mensuráveis; foi proibida a venda de bebidas alcoólicas na periferia, principalmente no período noturno dos finais de semana; buscas rotineiras por armas de fogo foram implementadas nas regiões periféricas e o desarmamento voluntário foi incentivado com o pagamento pelas armas recebidas.
Palestras sobre criminalidade transformaram-se em rotina nos colégios (públicos e privados), nas igrejas, clubes e centros comunitários, são os policiais formadores de opinião nas escolas de segurança cidadã; veículos conduzindo juízes, promotores e auxiliares transitam pelas ruas, resolvendo os problemas legais simples de forma rápida e eficaz; policiais foram deslocados para o patrulhamento a pé, na periferia, aproximando a segurança do segurado, dentro da filosofia do policiamento comunitário.
Jovens envolvidos com drogas e violência são agraciados com, no mínimo, três “padrinhos” (padres, comerciantes, moradores idosos, policiais, comerciantes, outros), que tem a missão de acompanhar diariamente o processo de socialização do jovem; processos de renovação urbana (esgoto, asfalto, calçada, praças) nas favelas e periferias modificaram a paisagem dos bairros pobres.
Como resultados dessas medidas houve redução da taxa de mortalidade anual por homicídio, de 80 (1993) para 18 (2006) mortes para cada grupo de 100.000 pessoas; mais de 30% de redução no número de crianças lesionadas com pólvora durante a época do natal; redução de 20% da taxa anual de homicídios culposos por acidentes de trânsito, de 25 para 20 mortes para cada grupo de 100.000 habitantes; respeito das faixas por pedestres e motoristas; uso do cinto de segurança por mais de 60% dos motoristas; exemplo esse que foi seguido por diversas cidades, principalmente no tocante à proibição do consumo de bebidas alcoólicas.
Notam-se, nas medidas adotadas e resultados alcançados pela cidade de Bogotá, que o crime de homicídios evolui com facilidade nos bairros pobres das grandes cidades do terceiro mundo, trazendo consigo uma gama de conseqüências nefastas para a população local e região. A solução encontrada para Bogotá não tem nada de secreto ou de difícil aplicação, conforme o estudo demonstra, são programas de integração social de uma parcela da população abandonada à própria sorte às margens da sociedade, ou marginalizada.
Homicídios devem e podem ser reduzidos também no Brasil. Abandonar o tema lembra uma ação da Rainha Vitória da Inglaterra no Séc. XIX quando, ao ter um dos seus diplomatas humilhado por um governante da Bolívia, pegou o mapa e riscou aquele país dizendo aos presentes: “A Bolívia não existe!”. Fazer o mesmo quanto às mortes violentas no Brasil é fácil, basta os nossos governantes afirmarem: “Homicídios não existem!”.
3. METODOLOGIA
Partindo da premissa que o número de homicídios no Brasil está em franco crescimento, a pesquisa teve início verificando se o Brasil é uma área de risco quanto a essa modalidade criminosa e, em caso positivo, o que pode ser realizado para reduzir esse problema.
Com o roteiro da pesquisa estabelecido, ficou definido que o mesmo seria estruturado. Quanto a sua natureza, o artigo foi classificado como pesquisa aplicada, ou seja, objetivou gerar conhecimentos para aplicação prática dirigida a soluções específicas que, no caso concreto, significa atenuar as taxas de criminalidade, principalmente quanto aos homicídios.
Quanto à abordagem, o referido artigo foi organizado na forma de um estudo qualitativo, descritivo, sobre os dados disponibilizados por diversos órgãos públicos e privados.
Os objetivos foram estabelecidos pela pesquisa explicativa, o método utilizado visou entender as razões do aumento dos homicídios em diversos países e no Brasil. No tocante aos procedimentos técnicos, o artigo deve ser nomeado como bibliográfico e documental.
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O medo de ser vítima de crime, de qualquer espécie, domina a sociedade moderna. O que os estudiosos chamam de doença do século 21. Assim, essa paranóia junto com o aumento da criminalidade em todos os países, provoca na população críticas ao modus operandi do Estado no combate a crime, principalmente no tocante aos homicídios.
A relevância do tema foi apresentada, os objetivos traçados foram alcançados, o tema conceituado; a verificação do onde, do como e do porquê este ocorre foram divulgados; a teoria acadêmica que o explica conhecida; as taxas da criminalidade estabelecidas; e experiências positivas no enfrentamento a essa modalidade criminosa sugerida para o Brasil.
A pesquisa verifica que as taxas de homicídios aumentam vertiginosamente em todos os continentes, com ênfase para a América Latina e países membros da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas - URSS. Na América Latina três países despontam: Colômbia, Venezuela e Brasil. No Brasil, as taxas de homicídios que estavam concentradas nas regiões Nordeste e Sudeste, estão deslocando para o interior.
Essa verificação implica em uma gama de problemas, visto a falta de estrutura e capital para investimentos na redução da criminalidade nas cidades pequenas. Fato este que sugere abordagens diferenciadas como as propostas no tópico Caso Colômbia.
Em um curto espaço de tempo, as conseqüências das altas taxas de homicídios no Brasil serão o crescimento da sensação de insegurança pública, da criminalidade violenta e da cobrança pelos setores organizados por uma resposta do poder estatal. Em médio prazo, as classes mais abastadas substituirão o serviço público (polícia) pelo privado (seguranças), posteriormente, as classes carentes farão o mesmo, sendo que no lugar de empresas de segurança ocorrerá o retorno das milícias medievais. E, em longo prazo, a população local sofrerá patologias típicas de países em conflito armado ou sob ataques terroristas, turistas evitarão o país por medo da criminalidade, a economia sofrerá vieses devido à perda de capital humano masculino, em seu momento de maior produção, e o país será obrigado a investir grandes quantias em programas sociais e na segurança pública, visto o caos urbano nacional implantado.
5. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
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